“Seguuuuuuuuuuura, Escoteiro!”
- Pauta Escoteira

- 16 de jul. de 2018
- 4 min de leitura
Atualizado: 8 de set. de 2025

Emoção, festa e espírito de aventura marcam a abertura do 7º Jamboree Nacional Escoteiro e do 1º Jamboree Lusófono em Barretos
Barretos (SP) virou, por alguns dias, a capital da fraternidade escoteira. Depois de três anos de espera, o Parque do Peão finalmente abriu os portões para receber milhares de jovens que chegaram de todas as regiões do Brasil e de países de língua portuguesa. O grito que ecoou na Arena Central: “SEGUUUUUUUUUUUUUUUURA ESCOTEIRO!”. Foi mais do que um chamado: foi o estalo de partida para uma jornada de descobertas, amizade e pura emoção.
Sob o tema “Explorando Novos Caminhos”, o 7º Jamboree Nacional Escoteiro e o 1º Jamboree Lusófono convidam os participantes a mergulharem no espírito da exploração, não apenas da natureza, mas também de si mesmos, dos outros e do mundo que os cerca. A proposta é ousada: viver experiências que despertam o gosto por trilhas e horizontes, mas também por sonhos, projetos e valores que ficam na memória para sempre.

A energia da chegada
O clima já era de festa desde a entrada das comitivas. Bastava observar o vai e vem de bandeiras, totens, bastões e lenços coloridos para perceber que ninguém ali estava em Barretos por acaso. As caravanas desembarcavam carregando consigo meses de expectativa, ensaios de músicas, coreografias improvisadas e aquela ansiedade boa de quem sabe que vai viver algo único.
Na Arena Central, o cenário era contagiante: abraços de reencontros, sorrisos de primeiras amizades, olhares curiosos dos que estreavam em um Jamboree. Até que o som de um berrante rasgou o ar. O barulho típico do sertão paulista foi o gatilho: em segundos, uma onda de euforia percorreu a multidão. Jovens e adultos se levantaram, gritaram, pularam, balançaram suas bandeiras. Era como se toda a energia represada durante os três anos de espera explodisse ali, naquele instante.
Abertura sob comando dos jovens
Se em outras edições a condução da cerimônia de abertura ficava a cargo de adultos, desta vez a ousadia foi diferente. Cinco jovens escoteiros brasileiros e um português tiveram a missão de apresentar o evento. A seleção foi feita a partir de vídeos enviados de todo o país — e não faltou criatividade.
No palco, os escolhidos mostraram segurança e carisma. Entre eles, Beatriz Tavares Zanferrari, do GE Aldeia Verde (186º/PR), já havia prometido: “Vou empolgar essa galera. Será uma linda abertura, pode acreditar!”
O português Diogo Lopes da Mota, do Corpo Nacional de Escutas, também deixou clara sua intenção: “O que os jovens querem é festa. Farei com que o público sinta que este momento é incrível.”
E cumpriram a promessa. Com naturalidade e alegria, conduziram a plateia por uma viagem simbólica de trilhas, veredas e caminhos sertanejos até a chegada ao Jamboree, transformando a abertura em um espetáculo coletivo.

Autoridades e mensagens inspiradoras
Entre discursos oficiais, o tom foi de acolhida e inspiração. O Chefe Alessandro Garcia Vieira, Diretor Presidente da Diretoria Executiva Nacional dos Escoteiros do Brasil, destacou o espírito do evento: “Este será um Jamboree de Paz, Amizade e Descobertas. Queremos que cada jovem explore novos e desafiadores caminhos, como os tropeiros que, conduzindo suas boiadas, criavam rotas onde não havia trilha alguma.”
O prefeito de Barretos, Guilherme Henrique de Ávila, e representantes da Região Escoteira de São Paulo e do Clube Os Independentes reforçaram o apoio da cidade e a importância de sediar um encontro de tamanha grandeza. Também foram apresentados os representantes das Associações Escoteiras da Comunidade Lusófona (CEL), além dos vizinhos do Chile, Argentina e Paraguai, que trouxeram ainda mais diversidade à festa.
Bandeiras, músicas e tradições
Um dos momentos mais aguardados foi a apresentação dos estados participantes. Cada bandeira que subia ao palco arrancava gritos ensurdecedores das comitivas, que respondiam com coreografias, canções ou gritos de guerra. A vibração era tanta que parecia impossível escolher qual delegação era a mais animada.
Logo depois, veio a Canção Oficial do Jamboree Nacional, acompanhada de vídeos sobre a cidade sede e os desafios que os jovens viveriam nos dias seguintes. Para dar o tom cultural, o grupo Catira Espora de Prata levou ao palco um pouco da tradição do interior paulista, misturando música, dança e o som das esporas que batiam no ritmo contagiante da catira.

Entre lágrimas e fogos
O ápice da noite foi a declaração oficial de abertura. O anúncio foi seguido por um show pirotécnico que iluminou o céu de Barretos, arrancando lágrimas e sorrisos da multidão. De um lado, jovens vibrando com a adrenalina; do outro, chefes e voluntários emocionados por ver tanta energia reunida.
Mas, se alguém pensava que o encerramento da cerimônia marcaria o fim da festa, estava enganado. A música continuou, a animação seguiu firme, e a Arena Central virou palco de celebração coletiva, do jeito que só o Escotismo sabe fazer.

Um novo capítulo de fraternidade
Ao deixar a Arena, já na madrugada, a sensação era de missão cumprida: o Jamboree estava oficialmente aberto, e os jovens tinham diante de si um universo de experiências a viver. Entre fogos, músicas, danças e abraços, a mensagem que ficou foi clara: este encontro é sobre explorar, sim, mas também sobre criar caminhos de fraternidade, solidariedade e amizade que ultrapassam fronteiras.
O sertão paulista se tornou, por alguns dias, o território ideal para provar que o espírito escoteiro é, acima de tudo, uma ponte que une pessoas. Como bons tropeiros do século XXI, os jovens exploradores seguirão abrindo trilhas, não só no Parque do Peão, mas dentro de si mesmos.
E assim começou o 7º Jamboree Nacional Escoteiro e o 1º Jamboree Lusófono: com fogos no céu, brilho nos olhos e o coração pulsando no ritmo da aventura.
Por Xyko Ferreira
Publicado em 16 de julho de 2018
Jornal de Campo Canto da Jurema





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