Tradição e aprendizado marcam o Torneio Caio Vianna Martins
- Pauta Escoteira

- 8 de set. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: 6 de out. de 2025

Evento reuniu jovens de 11 a 14 anos em uma corrida de bases que mistura técnica, cooperação e diversão
No último 31 de agosto, a Cidade da Criança, no coração do Aterro do Flamengo, ganhou um colorido especial. Das 8h às 17h, jovens escoteiros do Ramo Escoteiro, com idades entre 11 e 14 anos, de todo o estado do Rio de Janeiro viveram intensamente o Torneio Caio Vianna Martins, considerado o mais tradicional do Brasil. Não era apenas uma competição: era uma verdadeira celebração do aprendizado, da coletividade e da alegria que marcam o movimento escoteiro.
Uma corrida contra o tempo e a favor do conhecimento
O torneio funciona em formato de corrida de bases. Em cada parada, os participantes são desafiados a aplicar técnicas escoteiras, demonstrar raciocínio rápido, trabalhar em equipe e, claro, colocar em prática a famosa “lei escoteira”, que inspira lealdade, coragem e solidariedade.
De acordo com a organização, a energia foi contagiante do início ao fim. “Este ano tivemos a participação de aproximadamente 900 jovens escoteiros, divididos em 157 patrulhas, e contamos com o apoio de 250 escotistas adultos na organização e desenvolvimento da atividade”, afirmou Henry Touchon de Freitas, Diretor de Métodos Educativos da Região do Rio de Janeiro. Ele fez questão de destacar também o impacto positivo do encontro: “o torneio foi um verdadeiro sucesso e superou em muito as nossas expectativas”.
Mais de 50 anos de história
“O Torneio Caio Vianna Martins já acontece há mais de 50 anos e se tornou um marco no calendário escoteiro brasileiro. Em cada edição, conseguimos preservar essa tradição de unir aprendizado e prática do que é vivido nos grupos”, disse Paulo Pereira Alves de Queiroz, Coordenador do Ramo Escoteiro da Região do Rio de Janeiro.
Um pouco de história
O Torneio Caio Vianna Martins homenageia um jovem herói do escotismo brasileiro, que em 1938, mesmo gravemente ferido após um acidente ferroviário, recusou atendimento médico imediato para que os socorristas priorizassem seus colegas, deixando como legado a frase: “Um escoteiro caminha com as próprias pernas”. Sua bravura e espírito de serviço permanecem como inspiração até hoje.
Assim, a cada edição, o torneio não apenas testa habilidades, mas reforça valores. Em 2025, o evento terá um gosto ainda mais especial: será um ano de celebração desse legado, com a promessa de muita ação, alegria e escotismo vivo.
Cooperação acima da competição
Diferente das disputas esportivas convencionais, aqui a lógica não é “vencer a qualquer custo”. O objetivo principal é avaliar o conhecimento das patrulhas e incentivar o aprendizado constante. Como disse um dos organizadores: “Não existe sucesso coletivo sem esforço individual. O sucesso da patrulha depende do esforço de cada um. Acreditem uns nos outros, e o esforço será recompensado.”
Essa filosofia foi visível em cada base do torneio: jovens ajudando colegas, compartilhando ideias, corrigindo uns aos outros e comemorando pequenas vitórias ao longo do caminho. O ambiente, mais do que competitivo, era de parceria.
A voz dos jovens escoteiros
A Patrulha Moréia, do 27º RJ Grupo Escoteiro do Mar Cornelis Verolme, de Angra dos Reis, também se lançou à aventura do Torneio Caio Vianna Martins. Para o monitor Daniel, a participação é uma estreia e, claro, cheia de expectativa. Ele conta que a equipe está pronta para encarar um nível mais técnico e desafios maiores do que os que enfrentaram no Grande Jogo.
E não é só na prática que eles se prepararam. Sobre o personagem que dá nome ao torneio, Daniel explica que a patrulha mergulhou na história: “A gente conhece pelo menos um pouco da história, e a pesquisa a gente fez por meio de um trabalho desenvolvido na sede”. Ou seja, estudo e diversão caminhando juntos!
Quando o assunto são as especialidades da patrulha, a confiança é ainda maior. Orientação natural, bússola e cartografia são as favoritas, e segundo Daniel, é nessas bases que eles se sentem prontos para brilhar e, quem sabe, conquistar aquela nota máxima. Entre passos certeiros no mapa e sorrisos durante as atividades, a Moréia mostra que o espírito escoteiro é, acima de tudo, sobre aprender, se divertir e superar desafios juntos.
Para a Escoteira Ana Laura, monitora da Patrulha Tigre do 13º RJ Grupo Escoteiro Flor de Lis, da Tijuca, o torneio escoteiro foi pura adrenalina e aprendizado. “Eu achei muito maneiro, achei muito legal, uma experiência bem diferente e eu achei que aprendi bastante coisa. Foi uma coisa bem interessante, uma experiência incrível”, contou, ainda animada com tudo que viveu.
Assumir a liderança da patrulha pela primeira vez poderia ser um desafio e tanto, mas Ana Laura garante que a experiência foi mais sobre descobertas do que dificuldades. “Não foi muito difícil, mas sim um novo desafio, e a minha patrulha foi maravilhosa, me ajudou muito e então foi bem legal”, explicou, destacando como o trabalho em equipe fez toda a diferença.
Entre todas as bases e atividades, uma se destacou: a Base de Sinais de Pista. “Foi a melhor base para nós, realmente fez diferença na experiência de todos”, disse, mostrando que momentos de aprendizado também podem ser pura diversão.
No fim, Ana Laura resume bem o espírito do torneio: muito mais do que competir, é sobre explorar, aprender e celebrar cada conquista com os amigos da patrulha.
Reconhecimento e celebração
Ao final do dia, depois de muito sol, risadas, desafios e até alguns tropeços, chegou a hora mais aguardada: a premiação. As vinte patrulhas mais bem colocadas foram reconhecidas pelo desempenho e dedicação. Mais do que medalhas ou certificados, o que todos levaram para casa foi a sensação de superação, união e pertencimento.
E, claro, cada escoteiro saiu dali com histórias para contar: da base em que a patrulha precisou improvisar, do nó que deu certo de primeira, da trilha percorrida em equipe, do colega que lembrou da técnica na hora certa.
Muito além de um torneio
No fim das contas, o Torneio Caio Vianna Martins é muito mais do que uma simples corrida de bases. É um espaço de formação, onde o escotismo se mostra em sua essência: educar para a vida, por meio da ação, do desafio e da alegria. Um evento que, há mais de 50 anos, continua inspirando jovens a acreditarem na força do coletivo e no poder transformador do esforço individual.
No Aterro do Flamengo, em pleno Rio de Janeiro, ficou a certeza de que Caio Vianna Martins não é apenas um nome na história, mas um exemplo vivo em cada patrulha, em cada jovem que veste o lenço escoteiro e se lança de corpo e alma em mais uma aventura.
Por Xyko Ferreira
Publicado em 08 de setembro de 2025





Comentários