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ALÉM DE LIMITAÇÃO

  • Foto do escritor: Pauta Escoteira
    Pauta Escoteira
  • 13 de jan. de 2015
  • 2 min de leitura

O brilho nos olhos de quem chega ao Jamboree pela primeira vez é algo que se repete em cada canto do Parque do Peão. Mas, entre tantas histórias de superação e entusiasmo, uma chama a atenção pela força e pela coragem. Danyella dos Santos Silva, de apenas 16 anos, integrante do Grupo Escoteiro Professor Luiz Soares (12º/RN), prova que limites existem apenas quando alguém decide aceitá-los. Ela é cega de nascença, porém nunca enxergou essa condição como um empecilho para viver intensamente o Escotismo.

A relação de Danyella com o Movimento começou cedo. Aos 10 anos, entrou no Ramo Escoteiro inspirada pela mãe, que também havia sido escoteira. "Minha mãe, quando jovem, foi escoteira e sempre me falou o quanto era legal participar. Então eu pedi para ir e não me arrependo", contou. Desde então, o lenço no pescoço virou símbolo de descobertas, amizades e, principalmente, de conquistas pessoais.

No Jamboree, as atividades são sempre um convite a sair da zona de conforto. Para Danyella, o primeiro dia foi marcante. Logo de cara, no Módulo Desafio e Aventura, ela encarou o rapel com coragem e determinação. Ao chegar ao final, a emoção tomou conta. "O chefe que estava lá ficou tão emocionado quanto eu ao ver o desafio superado", lembra, com um sorriso que quase se escuta em sua voz.

Mas afinal, quais são as atividades favoritas dessa potiguar? Sem titubear, ela responde: "Adoro rapel, acampar, enfim, tudo que envolva desafio. Conto muito com a ajuda do pessoal do meu Grupo e quero continuar sempre no Movimento Escoteiro". Para ela, a vida ao ar livre é mais do que diversão. É a oportunidade de se provar capaz diante das dificuldades, de se fortalecer com o apoio dos amigos e de mostrar que a coragem não precisa de visão, mas sim de coração.

Este é o primeiro Jamboree de Danyella, que celebra com entusiasmo o fato de a atividade acontecer praticamente no “quintal de casa”, no Rio Grande do Norte. Desde que soube da realização do evento, não pensou duas vezes em participar. A mãe apoiou sem hesitar, mas alguns parentes acharam a ideia ousada demais. "Disseram que era loucura", recorda. Ainda assim, nada a desanimou. A resposta que ela dá a qualquer dúvida ou desconfiança é simples, direta e cheia de energia: "Participar é bom demais. Só emoção!". Para ela este é o significado do Jamboree, resumiu de forma simples.

Ao circular pelo acampamento, é impossível não perceber a alegria de Danyella. Sua presença inspira outros jovens e adultos a repensarem conceitos sobre limitação. Afinal, se uma adolescente cega é capaz de se lançar em um rapel de dezenas de metros com tanta determinação, o que impede qualquer outro de encarar seus próprios desafios?

Mais do que uma guia escoteira, Danyella se tornou exemplo vivo de que o Escotismo é para todos. No olhar dela, mesmo que não enxergue com os olhos, está a essência de quem acredita que a vida é feita de aventuras, superações e descobertas. No final das contas, sua história mostra que coragem e força de vontade são muito mais importantes do que qualquer barreira física.

Por Xyko Ferreira

Publicado em 13 de janeiro de 2015

Diário do Calango

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